Busca pela saúde estimula procura pelo novo açúcar

açúcar

Abrir mão de doces em prol da saúde pode, em breve, ser coisa do passado. Fabricantes de alimentos e bebidas estão em uma corrida para encontrar um adoçante natural com o mesmo sabor do açúcar, mas sem as calorias.

No centro da disputa está um arbusto nativo do Paraguai, a stevia, usado há muito como flavorizante pelos índios naturais da região.

O problema mundial de obesidade prejudica a reputação do açúcar e afeta as vendas de alimentos que utilizam o produto. A stevia e outros adoçantes naturais de baixo teor calórico são tidos como solução “desde que seja possível tornar seu sabor tão bom quanto o do açúcar”.

No setor de refrigerantes, a necessidade de uma alternativa é ainda maior: as vendas dessas bebidas estão em queda nos EUA há dez anos.

A resposta do setor foi promover alternativas de baixa caloria, mas o consumo de refrigerantes diet também está recuando diante da preocupação com adoçantes artificiais, como o aspartame.

“Quando um ingrediente ganha má reputação, é difícil de superá-la”, diz John Madden, diretor de ingredientes do Euromonitor. “Alguns consumidores têm preocupações sobre adoçantes artificiais, por isso o interesse em algo que possa ser encarado como natural.”

Em 2014, 2.274 novos alimentos e bebidas contendo o extrato da stevia foram lançados, ante 636 em 2011, de acordo com o grupo de pesquisa de marketing Mintel.

No entanto, a stevia ainda não é a solução perfeita para refrigerantes: o extrato deixa sabor amargo na maior parte dessas bebidas e precisa ser combinado ao açúcar para se tornar aceitável.

É o motivo para que Indra Nooyi, presidente-executiva da PepsiCo, tenha declarado que “a stevia infelizmente não funciona bem em refrigerantes tipo cola”. Isso foi há dois anos e, desde então, fabricantes afirmam ter obtido sucessos na redução do sabor adstringente da stevia.

As melhoras levaram a Pepsi a lançar a Pepsi Next, e a Coca-Cola, a Coca-Cola Life. As duas usam stevia misturada a açúcar.

Além do stevia, existem outras apostas em adoçantes naturais, como o luo han guo (Siraitia grosvenorii), um fruto chinês, e a proteína brazzein, do fruto de uma trepadeira do oeste da África.

A Tate & Lyle, do adoçante sucralose que, assim como o aspartame, sofre com a desconfiança de consumidores, trabalha em um produto à base da alulose, derivada do milho e descrita como “açúcar de baixa caloria que existe na natureza”.

Martin Deboo, analista da Jefferies, diz que o produto parece promissor, “mas terá de enfrentar o desafio de ser percebido como natural”.

Fonte: Folha de S.Paulo

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